Em O mundo em alta voltagem, Fernanda Cruz Neves parte da compreensão de que o pensamento não segue uma linha reta, mas se organiza como um ecossistema ramificado, veloz e, por vezes, avassalador. É desse movimento que nascem os poemas reunidos na obra: aberturas de portas para um trabalho construído em uma clínica atípica, onde dores, angústias e percepções ganham forma e linguagem.
Ao mesmo tempo que revela a intensidade dessas vivências, Fernanda desloca o olhar do diagnóstico como ponto final, sugerindo outras possibilidades de compreensão. As angústias apresentadas não são exclusivas de uma condição, mas atravessam a experiência humana — ainda que, na rotina atípica, se manifestem com maior frequência e intensidade.
Este não é um livro sobre TEA, TDAH ou Altas Habilidades, mas um diário emocional deuma profissional que se permite ser tocada pelo vínculo com seus pacientes. Entre atécnica que se traduz em planos terapêuticos e as inquietações que encontram lugar napoesia, Fernanda constróiuma escrita que revela, com sensibilidade, os atravessamentosde quem cuida e também se deixa afetar.
Fernanda Cruz Neves, desde a infância, se percebe como uma“aventureira”, guiada por uma imaginação que a levou a explorar a mente humana por meio da Psicologia e da Pedagogia, com especializações em comportamento e neuropsicologia. Com mais de uma década de atuação, construiu uma trajetória dedicada à educação e à inclusão, tendo atuado na coordenação de educação especial, na proteção social e, atualmente, no atendimento de crianças e adolescentes com TEA, sempre comprometida com a causa das pessoas com deficiência.