Repense sua forma de empreender



Enquanto muitas empresas aprendem a ser mais flexíveis e passam a enxergar os benefícios do home office, sinto que é preciso ir além.

Passamos a olhar mais atentamente para os gritos dos oprimidos quando nos dizem que vivemos, sim, um racismo estrutural. O que fazemos sobre isso dentro de nós? E dentro das nossas empresas?

Passamos a ouvir relatos constantes de mulheres que estão perdendo ainda mais espaço no mercado de trabalho, pois é a elas que recaem as responsabilidades da casa e dos filhos durante o isolamento social. O que fazemos sobre isso dentro de nós? E com as nossas equipes?

Enquanto reclamamos do quanto o isolamento está afetando o nosso psicológico, que inevitavelmente apresenta quadros de ansiedade e medo constantes – seja do vírus, da situação financeira, dos próximos dias ou até do tédio, pessoas passam fome e frio diariamente. A fome deve assustar mais do que a incerteza do amanhã, não acha? E o que você faz sobre isso?

Quantos artigos você já leu sobre a importância de distanciar a vida corporativa da vida pessoal?

Agora, diante da nossa nova realidade, você ainda acha isso possível? Acha que é possível ignorar a realidade do outro? Acha possível assistir ao preconceito enraizado e não fazer nada? Acha viável olhar a miséria e não se afetar com ela?

Enquanto o governo nos apresenta cenários de discórdia, de discussões constantes e superficiais sobre posicionamento político, de descaso em relação ao vírus e de má conduta, administração e corrupção que nos presenteiam diariamente, o que você, empreendedor, faz além de reclamar dos impostos e da crise econômica mundial em que vivemos?

Quando eu digo que é preciso ir além, falo sobre fazer a diferença. Falo sobre restaurantes que, de portas fechadas e diante de prejuízos certos, passaram a fazer marmitas para os que sentem fome. Falo de gestores e gestoras que entenderam que a ausência da escola impossibilita trabalhar das 8 às 18h e que remanejaram a própria equipe para que a mãe pudesse trabalhar dentro do possível para a realidade dela, sem temer uma demissão por conta disso. Falo de uma análise profunda sobre oportunidades aos que não possuem condições iguais durante a sua formação acadêmica. Falo sobre abrir espaço para a criação de projetos sociais, não preocupando-se com a imagem da empresa, mas diante do incômodo que é viver em um país com tamanhos desigualdade, preconceito, violência e corrupção.

Se for para seguir esperando que o próximo governante seja mais assertivo, humilde e que realmente esteja empenhado em fazer a diferença, e não em fortalecer a sua imagem pessoal e esbanjar poder e arrogância, sem fazer nada, talvez seja melhor não seguir.

A mudança precisa começar de algum lugar, e não dá mais tempo de esperar pelo outro. Temos urgência!



Aline Gongora

Cofundadora da Amélie Editorial



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